Dra. Nathane Braga | 03/08/2026

Nos dias de hoje, é raro encontrar alguém que se lembre de todos os compromissos, nomes e tarefas. Vivemos cercados por estímulos, com muitas demandas e uma rotina acelerada, fatores que podem afetar nossa atenção e, consequentemente, nossa memória.
No entanto, principalmente após os 60 anos, os esquecimentos podem se tornar mais frequentes e despertar uma preocupação comum: será que é apenas um esquecimento da idade ou pode ser uma demência, como a doença de Alzheimer?
Antes de tudo, é importante saber que nem todo esquecimento significa demência.
A demência é uma síndrome caracterizada pela perda progressiva das funções cognitivas, comprometendo a autonomia da pessoa. Além da memória, podem estar afetados o planejamento, a atenção, a linguagem, o raciocínio, a orientação e até o comportamento. Em geral, os sintomas começam de forma discreta e evoluem lentamente ao longo dos anos.
Existem diferentes tipos de demência, mas a doença de Alzheimer é a causa mais comum. O risco aumenta com o envelhecimento e, embora ainda existam muitos aspectos em estudo, sabe-se que uma das principais alterações é o acúmulo de proteínas anormais, como a beta-amiloide e a proteína tau, que levam à lesão progressiva das células cerebrais, especialmente nas regiões relacionadas à memória.
A boa notícia é que esta é uma das áreas da neurologia que mais avançou nos últimos anos. Hoje sabemos que um estilo de vida saudável — com controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, prática regular de atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada, estímulo cognitivo e interação social — pode reduzir o risco de declínio cognitivo e ajudar a preservar a saúde do cérebro.
Além disso, os avanços no diagnóstico permitem identificar alterações cada vez mais precocemente. Em pacientes selecionados, já existem tratamentos capazes de retardar a progressão da doença de Alzheimer em suas fases iniciais. Esse é um dos maiores avanços da neurologia na última década: diagnosticar mais cedo, compreender melhor cada caso e oferecer opções terapêuticas quando ainda há maior potencial de benefício.
Por isso, se os esquecimentos estão se tornando frequentes, progressivos ou começam a interferir nas atividades do dia a dia, vale a pena procurar uma avaliação neurológica. Identificar a causa é o primeiro passo para definir o melhor tratamento e, muitas vezes, descobrir que a memória pode estar sendo afetada por condições reversíveis.
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Dra. Nathane Braga - Neurologista e Neuroimunologista no Rio de Janeiro - RJ
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